12 de fevereiro de 2009

Filme - "Uma verdade inconveniente" (An inconvenient truth)




“Uma verdade inconveniente, a crise do aquecimento global”, por Al Gore (Gradiva, 2007), é um excelente e bem documentado testemunho do antigo vice-presidente dos EUA, que nos adverte para as graves consequências paras as nossas vidas caso não se tomem as medidas adequadas.

O que nos diz, de uma forma tão persuasiva, Al Gore? Que, enquanto no mundo pré industrial, se conseguia uma relativa harmonia da absorção da energia solar e não havia praticamente efeito de estufa, agora o problema da atmosfera consiste em estar repleta de quantidades enormes de dióxido de carbono indutores do efeito de estufa. O autor apresenta provas eloquentes: o monte Kilimanjaro (Tanzânia) deixou praticamente de ter neve; os glaciares dos Alpes estão a desaparecer; estamos a assistir ao recorde de tempestades, tufões e furacões violentos como o Katrina, a par de uma série desastrosa de inundações, desaparecimento de lagos e alterações no Árctico e Antárctida. Al Gore defende que os EUA emitem cerca de um quarto do total mundial de gases indutores do efeito de estufa, ao passo que todo o continente africano é responsável apenas pela emissão de cinco por cento destes casos. Se se elevarem os níveis das águas dos oceanos entre cinco e meio e seis metros (o que poderá ser possível se a cúpula de gelo da Gronelândia ou a placa de gelo da Antárctida ocidental se derreterem ou se precipitarem no mar), Miami ficará submersa, Amsterdão desaparecerá, no Bangladesh e na cidade de Calcutá sessenta milhões de pessoas ficariam desalojadas.

O aquecimento global agravará todos os problemas existentes: nas profundezas dos oceanos ou na saúde pública (difusão de maior número de doenças), por exemplo. As grandes industrias poluentes procuram desesperadamente intoxicar a opinião pública, fingindo que a verdade não é tão grave como se diz. Al Gore exemplifica com Philip Cooney, que trabalhava na política ambiental na Casa Branca mas que estava encarregado, até então, de ser um agente da desinformação à cerca do aquecimento global. Quando foi desmascarado, em 2005, entrou logo nos quadros da Exxon Mobil. Isto para sublinhar que a opinião pública anda enganada devido à coligação entre as empresas poluentes e governantes.

Todos podemos lutar contra o aquecimento global: usando lâmpadas fluorescentes, fluorcompactas, telhados verdes, automóveis híbridos ou energia eólica. É do senso comum que o consumo aparece associado a muitos impactos ambientais, havendo instituições (como a OCDE) que fazem sugestões para as estratégias de mudança no que toca às escolhas ambientais menos prejudiciais para o ambiente e recursos naturais. O cidadão pode e deve contribuir para controlar a mudança climática, desde que adopte comportamentos em casa usando termostatos impedindo as fugas de calor, usando correctamente o frigorífico e o congelador, o ar condicionado, etc.

O derrotismo ou o fatalismo não resolvem coisa nenhuma. Dizia-se nos anos oitenta que o problema do buraco da camada do ozono era impossível de solucionar. Com a cooperação à escala mundial, tomaram-se medidas convenientes. Agora, face aos perigos ainda mais graves do aquecimento global, não podemos simplesmente dar-nos ao luxo de não agir.

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